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Roberto Nobre
(1903– 1969)
José Roberto Dias Nobre nasceu em São Brás de Alportel, a 27 de Março de 1903, sendo filho do médico João da Silva Nobre e de Adelina Dias Sancho Nobre.
O seu pai
foi médico em Olhão, onde abriu consultório, e ficou conhecido pelo
“médico dos pobres”, devido ao seu elevado espírito humanista. João da
Silva Nobre veio a ser também presidente da Câmara Municipal de Olhão,
Governador Civil substituto e presidente da Junta Geral do Distrito de
Faro.
Roberto Nobre viveu a adolescência em Olhão, e desde muito jovem começou a ler tudo o que encontrava sobre cinema e artes plásticas, e colaborou no jornal “Alma Lusitana”, de Faro, um semanário literário que se publicou em 1919 e 1920.
Com
apenas 20 anos de idade, Roberto Nobre começou a rodar em Olhão o filme
“Charlotin e Clarinha”, decorrendo as filmagens entre 1923 e 1925.
Trata-se de uma curta metragem, baseada no estilo de Charles Chaplin, a
grande figura do cinema da época. O filme só veio a ser divulgado ao
público em 1972, no Festival de Cinema de Santarém, por iniciativa do
crítico de cinema Vitoriano Rosa, um olhanense amigo e contemporâneo de
Roberto Nobre. Após a exibição do filme foi salientado a qualidade da
fotografia, e a movimentação cénica perante a câmara.
O
argumento e a realização são de Roberto Nobre, a fotografia de Albert
Durot, a produção da Gharb Film, e a produção executiva de Roberto Nobre
e Agostinho Fernandes.
Foram Roberto Nobre e Carlos Porfírio que criaram a primeira produtora de cinema do Algarve, a “Gharb Film”, em 25 de Novembro de 1925, mas que teve pouca actividade, pois existiu praticamente só para a realização do filme “Charlotim e Clarinha”.
Em 1922, por intermédio do escritor algarvio Assis Esperança, Roberto Nobre conheceu Ferreira de Castro, com quem haveria de estabelecer uma sólida amizade e colaboração profissional, tendo ilustrado muitas obras do escritor.
Em 1928,
o escritor Ferreira de Castro fundou a revista “Civilização”, que passou
a dirigir, sendo Roberto Nobre um colaborador regular.
Como
crítico de cinema é de salientar as seguintes obras de Roberto Nobre:
Apesar da repressão e da censura, que então era exercida pelo regime de ditadura, Roberto Nobre ao longo da sua vida profissional e social, no âmbito político, defendeu sempre os ideais democráticos e republicanos.
Roberto Nobre fez parte de uma tertúlia que se reunia na Pastelaria Veneza, na Avenida da Liberdade , em Lisboa, que incluía, entre outros, Ferreira de Castro, Assis Esperança e Jaime Brasil.
Colaborou em diversos jornais, como “A Batalha”, “Primeiro de Janeiro” e “O Diabo”, e em revistas, como “Seara Nova”, uma publicação progressista, com que se identificava, “Ilustração”, “Vértice”, “Civilização”, “Magazine Bertrand”, “Lusíada” e “Voga”.
Colaborou também com o Anuário Cinematográfico Português.
Artista
de múltiplas facetas, talentoso pintor e ilustrador, Roberto Nobre foi
pioneiro no modo de fazer cartazes de forma séria e profissional. Era
exímio no controlo da cor e luminosidade, e no conhecimento das técnicas
de impressão.
Ilustrou muitos livros, sobretudo romances de Ferreira de Castro, obras de Reynaldo Ferreira (o célebre repórter X), e também de escritores algarvios, como António Vicente Campinas, Assis Esperança, Emiliano da Costa, Bernardo de Passos e José Dias Sancho, entre outros. Algumas das suas obras, no âmbito de pintor e ilustrador, encontram-se no Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, em Faro.
Após o
falecimento, Vitoriano Rosa escreveu um artigo onde afirmou: “o
cinema português e a cultura cinematográfica em Portugal sofreram
gravíssima perda com a morte de Roberto Nobre (revista Plateia nº 456,
Lisboa, 1969).